| |
Alma de poeta é fantasma.
Vaga...
Não caminha, voa.
No vôo, mergulha.
Alma de poeta inquieta.
Sabe que vida finda,
Mas vive e diz ser eterna.
Vê mundo passando,
Vê tempo chegando.
Bebe vinho, se embriaga.
Embriagada, alma canta...uiva...
Grita...chora...gargalha...
Não sabe ser o que é.
Alma de poeta é faceira,
Mineira, corriqueira, danada!
Senta em banco de praça,
Caolha olha gente que passa.
Vê tudo às avessas, transforma,
Pinta as cores que tem n'alma.
Árvore de poeta é vermelha,
Céu de poeta é roxo,
Chão de poeta é negro.
Poeta ama!
Não ama como alguém ama.
Poeta ama sereno,
Profundo, eterno, difuso.
Poeta cola amor em pele,
Carrega amor em destino.
É bicho bom que morde mundo.
Poeta é alma.
Alma é poeta.
Poeta é barulho de rio...
É correnteza de enchente...
É semente
Jogada em alma da gente!!!
Escrito por Elisa di Minas às 15h31
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
VAZIOS
Queria descobrir meus vazios
Que enchem dias meus...
Vazio vai se apoderando
Comanda, distorce, torce,penetra,domina
Fico leve de existência
Sem nada!
Transbordo...
No transbordar
Encho
Chuto
Caduco
Silencio
Machuco
Vazio tão cheio
Que engordo
Desejos
Remendos de medos
Em dias morridos...
Escrito por Ena Noro às 09h33
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Noite chegou em claro dia e despertou desejo. Percorrer caminho já vivido pareceu necessidade de momento. Retirei rugas e sorvi lembranças. Grito de Maria Fumaça ecoou longínquo, levantando saia de menina descalça de olhar sonhador. Seguindo trilhos coração sentiu abraço de pai e ausência de mãe. Sentiu olhar indiferente e distante de sociedade podre. Reviu caminhar silencioso e solitário em hora de algazarra e alegria. Coração (re)sentiu fome, luar como teto e frio. Sorriu nascimento de filhos e chorou partida de linda menina. Vestindo calmamente as rugas do tempo, viver continuou. Peito arfou ao toque de pés, lentamente caminhando, marcando mundo habitado em sentimento de mulher. Feridas de pés indiferentes, de amor traído, de existência acabada, de pés de poeta. Dor de pés de chumbo que aperta peito e estreita caminhar. Pés de saudade de pai e mãe, marcas de ausências de pés pequeninos, em dor calada, permanente. Peito arfou e respirou lembrança de amigos, de abraços, de vinho e lutas compartilhadas. Todas as rugas vestidas, respirei necessidade de estreitar peito meu, pra não mais servir de caminho...
Escrito por Ena Noro às 16h28
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Pintei paredes de meu canto, para acalmar meu viver. Não desejo de tempestade foi forte, na vontade de acalmar, suavizei. Dias são infinitamente viventes, de querer e não querer. Parei em coração meu e dialoguei.Tantas interrogações surgidas que coração se irritou, me mandou calar a boca. Aí eu destronei, caí do salto e xinguei.Boca minha, irritada, vomitou tantas palavras que rouca fiquei. Não mais falei. E, na fúria do que vivia, isolei coração.Deixei que ele aprendesse sozinho, as lições que mundo manda, lições cruas, frias, doentes,esqueléticas,disformes. Mandei coração às favas, que se dane o que ele sente! Não é bom aprendiz, nunca aprende a sofrer...sabe que não deve se entregar, nem acreditar, nem sentir. Mas, teimoso que nem mula quando empaca, o maldito teima em viver, viver errado, descompassado, cheio de querer!!!! Então, não mais resistindo, o assassinei...
Escrito por Ena Noro às 11h39
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Uma palavra que define sentimento em morrer de lua:MORTE
Escrito por Ena Noro às 11h05
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Palavra que define sentimento em morrer de sol:AGONIA
Escrito por Ena Noro às 11h03
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
RRRRRRRRRRRR....sssssssssssssss....mundo louco, caduco, fodido de transformações...droga que se instala em caminhos não pisados, amassados de ignorâncias e podridão. Mundo cão, que de cão nada tem, porque cão é fiel. Mundo humano, porque humano é criação bichada em putrefação de verme e ignorâncias.
Escrito por Ena Noro às 10h50
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Existe algo que me deixa atordoada, sem saber o que é. Sinto em peito meu aperto de chave de fenda em parafuso. Apertada...sufocada....parafusada.
Saí pelas ruas de cidade minha, andei ruas de infância minha, parando em casas onde morava. Não sei se peito cansou, ou se não era aperto de saudade. As casas? Me fizeram sentir nada! Sentei em calçada, olhava com cara de babaca todo horizonte acontecendo, nada! Arranquei sapatos, olhei furo de meia e continuei babaca. Fechei olhos pra escutar rua, deu sono. Abracei joelhos e curvei membro...parada como estar em nada.Aperto de peito apertava. Suspirei ar do mundo, cansada de nadas. Silenciei e ouvi murmurar de águas. Segui murmúrio, sentei na "bera" do rio. Rio Vargem Grande carregava alegria minha, carregava meu cheio, me fazendo vazia. Chamei pescador pra sentar em lado meu. Pescador não veio.Salguei rio, molhei pés de chumbo que me prendiam ao chão. Queria asas...Vargem Grande caçoou de pranto meu...
Escrito por Elisa Noronha às 16h30
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Nos cacos do copo está corpo seu. Corpo dotado de cacos caídos, quebrados, possuidos. Olhar seu mirado em vidro, inerte, gelado. Caco meu. Tento colar meus pedaços em pedaço seu. Mas cola é líquido que escorreu ,como ferida gerada de corte em pedaço seu.Que faz alma chorar escondida, buscando na vida o que já morreu.Seus cacos caídos, mirando sorriso que ja viveu é fome de sentido,resto de vidro que se perdeu. Passo cabelo, escorrendo cacos, jogando em ralo o que não doeu. Não miro retalhos quebrados em espantalhos de braços abertos, em campo semeado nas dores de romeu... Não miro pó de estrada, nem nada, tudo é seu. Saindo, partindo,fugindo, levou escondido , fechado em bolso , grudado em pele, colado em coração...a decomposição do que já fui eu. Me resta cacos caídos, mão retalhada, olhares perdidos, vida acabada...espaço restrito em mundo largado, em mundo fodido, em mundo parido nos braços seus.
Escrito por Elisa Noronha às 14h45
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Nesse momento, instante, agora, queria braço de ferro pra destruir mundo. Arrebentar boca daquele que permanece na mesmice de dias. Não ser mutante é morrer em vida. ARREGAÇO PUNHO , MIRO , FECHO OLHOS E , CERTEIRAMENTE ESMURRO. Basta!!! Destruo o indestrutível...´deixo que viva somente o que não pesa, não morde, não fere, não mata!
Escrito por Elisa Noronha às 17h11
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Tentei escrever prosa que falasse de amor e melancolia. Dizem que quem ama sofre desses tormentos. Não estou amando, pois malancolia pareceu imbecilidade de mente vagabunda. Mente...nem sei se mente existe, pois minha está totalmente destruída, acabada, matada. Não matada de morte que vem e fica. Estrangulada por dedos meus , insistentes em agarrar pescoço e findar vida. Esmurro face minha , cutuco ferida, só pra ver se estou viva. Tento desesperadamente sentir coração batendo, mas ele se nega a cega satisfação de me mostrar que estou vivendo. Nem órgão meu me escuta. Que desenho devo fazer de meu ser? Um desenho inacabado, riscado, rabiscado, rasgado, jogado, amassado, queimado...um desenho sem forma, sem hora, sem rumo, sem prumo. Um desenho que jogarei fora...
Escrito por Elisa Noronha às 23h25
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Caio na realidade, encanto de vida refletida em dia vazio. Não há sorriso, nem afago.Não há vaso de flores, nem versos. No seguir tempo vejo segundos, minutos, horas se passarem.Não tento reter presente...caminho ao infinito, a cada segundo mais próximo. Não busco abrir a janela, lua se foi, céu pintado de negro dói coração meu. Barulho de vozes fantasmas ecoam em cérebro que doeu. Ronco de motores, risos de namorados, beijos...barulhos macabros. Peito arfa em luz não dividida. Peito meu, caminho de pés de homem,caminho que não morreu.Como eu. Toco amor à minha frente, gélido, decomposto, escroto. Irreal. Não vivo realidades, vivo o que não sou. Não vivo sentimentos, morro o que passou.
Escrito por Elisa Noronha às 21h36
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
| |
[ ver mensagens anteriores ] |
|
|
|
|