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Nos cacos do copo está corpo seu. Corpo dotado de cacos caídos, quebrados, possuidos. Olhar seu mirado em vidro, inerte, gelado. Caco meu. Tento colar meus pedaços em pedaço seu. Mas cola é líquido que escorreu ,como ferida gerada de corte em pedaço seu.Que faz alma chorar escondida, buscando na vida o que já morreu.Seus cacos caídos, mirando sorriso que ja viveu é fome de sentido,resto de vidro que se perdeu. Passo cabelo, escorrendo cacos, jogando em ralo o que não doeu. Não miro retalhos quebrados em espantalhos de braços abertos, em campo semeado nas dores de romeu... Não miro pó de estrada, nem nada, tudo é seu. Saindo, partindo,fugindo, levou escondido , fechado em bolso , grudado em pele, colado em coração...a decomposição do que já fui eu. Me resta cacos caídos, mão retalhada, olhares perdidos, vida acabada...espaço restrito em mundo largado, em mundo fodido, em mundo parido nos braços seus.
Escrito por Elisa Noronha às 14h45
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Nesse momento, instante, agora, queria braço de ferro pra destruir mundo. Arrebentar boca daquele que permanece na mesmice de dias. Não ser mutante é morrer em vida. ARREGAÇO PUNHO , MIRO , FECHO OLHOS E , CERTEIRAMENTE ESMURRO. Basta!!! Destruo o indestrutível...´deixo que viva somente o que não pesa, não morde, não fere, não mata!
Escrito por Elisa Noronha às 17h11
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Tentei escrever prosa que falasse de amor e melancolia. Dizem que quem ama sofre desses tormentos. Não estou amando, pois malancolia pareceu imbecilidade de mente vagabunda. Mente...nem sei se mente existe, pois minha está totalmente destruída, acabada, matada. Não matada de morte que vem e fica. Estrangulada por dedos meus , insistentes em agarrar pescoço e findar vida. Esmurro face minha , cutuco ferida, só pra ver se estou viva. Tento desesperadamente sentir coração batendo, mas ele se nega a cega satisfação de me mostrar que estou vivendo. Nem órgão meu me escuta. Que desenho devo fazer de meu ser? Um desenho inacabado, riscado, rabiscado, rasgado, jogado, amassado, queimado...um desenho sem forma, sem hora, sem rumo, sem prumo. Um desenho que jogarei fora...
Escrito por Elisa Noronha às 23h25
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Caio na realidade, encanto de vida refletida em dia vazio. Não há sorriso, nem afago.Não há vaso de flores, nem versos. No seguir tempo vejo segundos, minutos, horas se passarem.Não tento reter presente...caminho ao infinito, a cada segundo mais próximo. Não busco abrir a janela, lua se foi, céu pintado de negro dói coração meu. Barulho de vozes fantasmas ecoam em cérebro que doeu. Ronco de motores, risos de namorados, beijos...barulhos macabros. Peito arfa em luz não dividida. Peito meu, caminho de pés de homem,caminho que não morreu.Como eu. Toco amor à minha frente, gélido, decomposto, escroto. Irreal. Não vivo realidades, vivo o que não sou. Não vivo sentimentos, morro o que passou.
Escrito por Elisa Noronha às 21h36
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