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VAZIOS
Queria descobrir meus vazios
Que enchem dias meus...
Vazio vai se apoderando
Comanda, distorce, torce,penetra,domina
Fico leve de existência
Sem nada!
Transbordo...
No transbordar
Encho
Chuto
Caduco
Silencio
Machuco
Vazio tão cheio
Que engordo
Desejos
Remendos de medos
Em dias morridos...
Escrito por Ena Noro às 09h33
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Noite chegou em claro dia e despertou desejo. Percorrer caminho já vivido pareceu necessidade de momento. Retirei rugas e sorvi lembranças. Grito de Maria Fumaça ecoou longínquo, levantando saia de menina descalça de olhar sonhador. Seguindo trilhos coração sentiu abraço de pai e ausência de mãe. Sentiu olhar indiferente e distante de sociedade podre. Reviu caminhar silencioso e solitário em hora de algazarra e alegria. Coração (re)sentiu fome, luar como teto e frio. Sorriu nascimento de filhos e chorou partida de linda menina. Vestindo calmamente as rugas do tempo, viver continuou. Peito arfou ao toque de pés, lentamente caminhando, marcando mundo habitado em sentimento de mulher. Feridas de pés indiferentes, de amor traído, de existência acabada, de pés de poeta. Dor de pés de chumbo que aperta peito e estreita caminhar. Pés de saudade de pai e mãe, marcas de ausências de pés pequeninos, em dor calada, permanente. Peito arfou e respirou lembrança de amigos, de abraços, de vinho e lutas compartilhadas. Todas as rugas vestidas, respirei necessidade de estreitar peito meu, pra não mais servir de caminho...
Escrito por Ena Noro às 16h28
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