Calando o silêncio
  

Alma de poeta é fantasma.

Vaga...

Não caminha, voa.

No vôo, mergulha.

Alma de poeta inquieta.

Sabe que vida finda,

Mas vive e diz ser eterna.

Vê mundo passando,

Vê tempo chegando.

Bebe vinho, se embriaga.

Embriagada, alma canta...uiva...

Grita...chora...gargalha...

Não sabe ser o que é.

Alma de poeta é faceira,

Mineira, corriqueira, danada!

Senta em banco de praça,

Caolha olha gente que passa.

Vê tudo às avessas, transforma,

Pinta as cores que tem n'alma.

Árvore de poeta é vermelha,

Céu de poeta é roxo,

Chão de poeta é negro.

Poeta ama!

Não ama como alguém ama.

Poeta ama sereno,

Profundo, eterno, difuso.

Poeta cola amor em pele,

Carrega amor em destino.

É bicho bom que morde mundo.

Poeta é alma.

Alma é poeta.

Poeta é barulho de rio...

É correnteza de enchente...

É semente

Jogada em alma da gente!!!



Escrito por Elisa di Minas às 15h31
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